segunda-feira, 17 de julho de 2017

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO CONSERVATÓRIO PERNAMBUCANO DE MÚSICA NO FIG

Blog do Ronaldo César

Responsável pela programação da Catedral de Santo Antônio, nos dias 21, 22, 23, 25 e 26 de julho – dentro da Programação do 27° Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), o Conservatório Pernambucano de Música (CPM) preparou uma agenda de shows especial e diversificada para agradar os ouvidos mais exigentes e encantar o público que estiver na Suíça Pernambucana. Este ano, a programação celebra os compositores brasileiros Heitor Villa Lobos e Tom Jobim que, se estivessem vivos, estariam completando respectivamente 130 anos e 90 anos.

 
“Mais uma vez levamos uma programação de altíssima qualidade para o festival. Esse evento anual, que realizamos na Catedral, é um dos pontos altos do nosso calendário. Ele permite mostrar o que de melhor temos no Conservatório, e também proporciona um diálogo com grandes nomes da Música Brasileira, a exemplo de Guinga, Toninho Ferragutti e Francis Hime, só pra citar alguns dos artistas deste ano. Entre nossas atrações, teremos o premiado grupo SaGrama e nosso Coro de Câmara, que conta com cerca de 40 vozes”, destaca a Gerente Geral do CPM, Roseane Hazin.

A reverência às obras de Villa-Lobos e Tom Jobim será feita em todas as apresentações programadas para a Catedral de Santo Antônio, com a execução de pelo menos uma música de algum dos compositores. Batizada de Conservatório no FIG, a série de shows será aberta no dia 21 de julho, às 16h30, com concerto da Orquestra de Câmara de Pernambuco, sob a regência do maestro José Renato Accioly, tendo como solistas os violonistas Guilherme Calzavara e Cláudio Moura, e a oboísta Roberta Belo. O compositor e violonista Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar, o Guinga, é convidado especial da noite.

O repertório começará com o Prelúdio das Bachianas Brasileiras N° 4, de Villa Lobos. Em seguida, será executado o Concerto para Dois violões, Oboé e Orquestra de Cordas, do compositor, pianista e arranjador Radamés Gnattali.
 
Para encerrar a apresentação, a orquestra acompanha Guinga (voz e violão) na execução de seis composições de sua autoria: Valsa de Aniversário, Porto da Madama, Senhorinha, Saci, Odalisca e Meu Pai, arranjadas especialmente para a apresentação na Catedral.´
 
“O programa mergulha em raízes distintas da música brasileira. É como se fosse uma trajetória histórica de caminhos que a música brasileira tomou. Villa Lobos trabalhou com elementos das raízes da música brasileira. Radamés também bebe na fonte dele. E Guinga, mesmo sendo classificado como um artista popular, é um compositor vivo que nos honra com sua participação. A obra dele tem uma erudição incontestável”, ressalta o maestro José Renato Accioly.
 
Ainda no primeiro dia, às 21h, a Catedral de Santo Antônio será palco para a cantora e pianista Cida Moreira apresentar o show Soledade. A artista faz um mergulho em memórias pessoais, através das composições de autores que reverencia em sua trajetória artística. Estão no repertório músicas como A Última Sessão de Música (Milton Nascimento), Cajuína (Caetano Veloso), Hora do Almoço (Belchior), Recanto Escuro (Caetano Veloso), Preciso Cantar (Arthur Nogueira) e Querido Diário (Chico Buarque).
 
Até a quarta-feira, 26, passarão pelo Conservatório no FIG nomes como Francis Hime e Olívia Hime, Luiz Eça, Toninho Ferragutti, Bebê Kramer, SaGRAMA, Yamandu Costa e Libertango. “Serão duas apresentações por dia, às 16h30, e às 21h, sempre com atrações variadas e encontros bem especiais. Teremos na quarta-feira, por exemplo, o SaGRAMA recebendo o violonista Yamandu Costa como convidado, à tarde. É um encontro que promete agradar muito por promover esse encontro de artistas com sonoridades distintas”, comenta a Gerente Geral do CPM.
 
Todas as apresentações do Conservatório no FIG são abertas ao público, de acordo com a disponibilidade de lugares na Catedral de Santo Antônio.
 
Confira a programação completa:

Conservatório no FIG / Programação
Datas: 21, 22, 23, 25 e 26 de julho
Local: Catedral de Santo Antônio
 
21/07 (Sexta-feira)
16h30 – Orquestra de Câmara de Pernambuco
Solistas: Guilherme Calzavara, Cláudio Moura e Roberta Belo
Regente – José Renato Accioly
Convidado - Guinga
21h – Cida Moreira
 
22/07 (Sábado)
16h30 – Danilo Brito (bandolim) e Quinteto
21h – Francis Hime e Olívia Hime
 
23/07 (Domingo)
16h30 – Orquestra de Câmara de Pernambuco, Coro de Câmara do Conservatório Pernambucano de Música e Solistas.
Regente – José Renato Accioly
Convidado: Leonardo Neiva (SP)
21h00 – Concerto com Elyanna Caldas
Participação: Bozó 7 Cordas e Júnior Teles
 
25/07 (Terça-feira)
16h30 – Show Em Casa com Luiz Eça. Com Toninho Horta, Itamar Assiere, Mauro Senise, Ricardo Costa, Zé Renato e Igor Eça
21h00 – Toninho Ferragutti e Bebê Kramer
 
26/07 (Quarta-feira)
16h30 – SaGRAMA, Convidado – Yamandú Costa
21h – Libertango. Com Estela Caldi, Alexandre Caldi e Marcelo Caldi

CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FIG 2017


sexta-feira, 14 de julho de 2017

REGULARIZAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS E URBANOS

Agência do Rádio

A regularização de terras e imóveis sem documentação agora tem novas regras. Com a sanção presidencial, o Programa Nacional de Regularização Fundiária vira realidade e torna mais ágil a emissão dos títulos das propriedades. A expectativa é de que cerca de 460 mil títulos rurais sejam distribuídos até 2018, e que mais de 150 mil famílias de baixa renda, que vivem em áreas da União, recebam o título definitivo da propriedade.

Os documentos vão possibilitar o acesso às políticas públicas destinadas aos agricultores rurais, como ao crédito com juros baixos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar e à Assistência Técnica e Extensão Rural, o que vai permitir fazer investimentos na cidade ou campo.

A população de baixa renda dos centros urbanos vai receber o título definitivo de propriedade, inclusive em casos de unidades habitacionais distintas construídas em um mesmo lote, situação conhecida como direito de laje. Para aqueles que não se enquadram nos critérios de baixa renda, a cobrança de taxas vai ser simplificada e oferecerá descontos, para evitar a inadimplência.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

VESTUÁRIOS PODEM TER TAMANHOS PADRONIZADOS

Foi aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviço da Câmara dos Deputados a proposta que define a padronização de vestuário no Brasil. O Projeto de Lei institui tamanho padrão de roupas infantis e adultas. A proposta, de autoria da deputada Soraya Santos, do PMDB do Rio de Janeiro, visa evitar que o consumidor fique confuso na hora de comprar, já que cada fabricante de roupa pode definir as medidas correspondentes às suas peças. Para o deputado Marcos Reategui, do PSD do Amapá, a medida pode trazer prejuízos para o setor de vestuário. Ele, que foi relator da proposta, rejeitou o Projeto de Lei. Na avaliação do deputado, o Projeto de Lei não deve ser aprovado. Para ele, a medida prejudicará o Brasil.

A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso o projeto seja aprovado, caberá ao Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, o Conmetro, regular os procedimentos e publicá-los 180 dias após a lei entrar em vigor.

domingo, 18 de junho de 2017

LIGADAS POR CRIME, GARANHUNS PODE TER SANTO E QUIPAPÁ VIVE À SOMBRA DE VILÃO

FolhaPE

Quipapá e Garanhuns, duas cidades do Interior pernambucano ligadas para sempre por uma história de violência inédita na Igreja Católica da América Latina. Noite de 1º de julho de 1957. Na Rádio Difusora de Garanhuns, uma notícia assustadora: o padre de Quipapá, Hosana Siqueira e Silva, acabara de disparar vários tiros de revólver contra seu superior, o arcebispo de Garanhuns, dom Expedito Lopes. Uma tragédia que muitos consideravam anunciada, fruto de um enredo que envolveu durante meses intrigas, brigas e desobediência entre os religiosos. Passados 60 anos do episódio, vários questionamentos ainda cruzam a história oficial do crime, multiplicando as versões sobre o assassinato. São esses enredos periféricos que mantêm vivos o mistério e as lendas que pairam sobre o caso. Neste folhetim da vida real soma-se ainda o arquivamento sobre a morte do padre, assassinado a pauladas em 1997, crime que ainda permanece sem solução. Ao longo das décadas, estes dois personagens continuam fortes no imaginário popular das duas cidades, seja pela gloriosa lembrança ou por uma quase necessidade de esquecimento. Se por um lado Garanhuns trata dom Expedito como santo, por outro Quipapá prefere apagar da memória a sombra da vilania do pároco que, para alguns, amaldiçoa a cidade.

Uma relação inflamada
Difícil encontrar alguém disposto a conversar sobre o crime do padre Hosana em Quipapá. Há quem acredite que ficar repetindo a história traz má sorte, além de constranger os parentes dos envolvidos. As poucas pessoas que conviveram com os protagonistas desta história acreditam que a tragédia poderia ter sido evitada, se não fosse a ação dos linguarudos do município. “Muito do que aconteceu foi culpa da língua do povo daqui. Diziam que ele tinha um caso com uma parente, mas não era verdade”, afirmou a poetisa Eri Luigi, 83 anos. Os boatos da época davam conta que o pároco mantinha um romance com uma prima, Maria José. A jovem morava com ele na casa paroquial, já teria feito um aborto e estaria esperando mais um filho do religioso. Devidamente informado pela população do desvio de conduta, dom Expedito exigiu que ele resolvesse a questão e deixasse a mulher. Maria José teria ido embora. Mas logo chegaram aos ouvidos do bispo a informação de que o padre arrumara uma substituta, de nome Quitéria.

Apesar dos vários relatos de troca de cartas entre o padre e suas amantes, onde estariam escritas confidências da vida a dois, os bilhetes sumiram. Eri Luigi, disse ter tido acesso, no passado, a algumas dessas correspondências, mas que nada havia de comprometedor. “Eu li muitas dessas cartas e ele era respeitador nelas. Não tinha nada disso, de caso”. Para ela, a má relação de Hosana com dom Expedito foi criada pela conjunção do disse-me-disse das beatas insatisfeitas com o temperamento forte e esquisito do padre, que algumas vezes viajava para sua fazenda no município de Correntes e deixava a população sem missa. O empresário Paulo Vieira, 70 anos, também aponta o fuxico da comunidade como estopim para a tragédia. “O que padre Hosana queria era que o bispo deixasse de dar ouvidos aos outros e soubesse da verdade aqui", disse. "O bispo também teve seus erros. O padre nunca teve mulher nenhuma. Isso só poderia acabar em coisa ruim”, lamentou. Viera era coroinha de Hosana naquele tempo e o descreveu como um “homem correto, de poucas palavras, mas de ação”. E também de atitudes intempestivas. Segundo alguns relatos, o pároco chegou a dar surras num vizinho bêbado que espancava as filhas e era agressivo com fieis. Ele ainda andava armado e atirava em cachorros que se aproximavam do seu cavalo, afirmam outros. Foi pelo conjunto da obra, e não apenas por seus romances, acreditam muitos, que dom Expedito, com aval do Vaticano, anunciaria na rádio a excomunhão de Hosana naquele 1º de julho.

O dia fatídico
“Naquele dia o padre celebrou uma missa muito dura contra dom Expedito. Logo depois, disse para o povo que logo mais eles teriam uma notícia vinda de Garanhuns sobre o bispo, mas ninguém esperava algo tão trágico. Foi um sofrimento muito grande para todos e, principalmente, para as duas cidades”, relembrou a religiosa Maria do Carmo Ferreira, 34 anos, sobre o episódio que o avô lhe contara várias vezes na infância. O pároco, sabendo da iminência da excomunhão que seria lida na Rádio Difusora, partiu de Quipapá com a ideia de também usar o microfone para se defender. Tomou o trem e, já em Garanhuns, seguiu de táxi para a rádio. Mas foi proibido de entrar e falar. Enfurecido, seguiu para a casa do bispo. Era perto das 18h30. “Dom Expedito tinha acabado de jantar quando bateram à porta. Assim que ele abriu, padre Hosana, sem dar uma palavra, disparou três vezes à queima roupa. Um tiro no braço e dois no tórax”, contou a missionária Terezinha Araújo Correia, 60 anos, atual curadora do Memorial Dom Expedito Lopes, localizado em Garanhuns. Tudo foi muito rápido. Hosana fugiu para o Mosteiro de São Bento, confessou o crime e pediu proteção de vida, já prevendo que seria caçado pelas autoridades. Enquanto isso, a agonia do bispo ganhava as ruas. Sem ambulância na cidade, ele foi transportado para o hospital na própria cama, colocada sobre uma caminhonete. Na unidade de saúde, recebeu apenas transfusões de sangue e depois de oito horas, já na madrugada do dia 2, morreu.

O nascimento de um mártir
Dom Expedito Lopes era o 5ª bispo da Diocese de Garanhuns e o que menos tempo ficou no posto. Em pouco mais de dois anos no cargo, foi assassinado. Mas também passou a ser aclamado como santo pela população. “A morte chamou muito a atenção das pessoas. Mesmo sabendo quem o feriu, ao invés de ficar revoltado, ele logo perdoou seu algoz. E no leito de morte pedia repetidamente que rezassem pelo padre Hosana”, comentou a missionária Terezinha. O sofrimento do bispo já era encarado como um ato de fé de um mártir e, desde então, passaram a dizer que ali estava um homem santo. Os relatos de milagres relacionados ao bispo logo começaram a aparecer. Entre eles, a de um dentista da cidade que acudiu o religioso baleado e teve as calças molhadas pelo sangue. As vestes foram guardadas e depois usadas como relíquia no difícil parto da esposa que corria risco de morte e se salvou. Mas o milagre mais famoso na época foi o de uma criança alagoana que atribuiu a cura de uma deficiência no pé à interseção do bispo. Pouco depois da morte, ainda na década de 50, as cartas de milagres que não paravam de chegar motivaram a abertura de um processo de canonização na Santa Sé. A religiosa Cândida Araújo, 87, velou a cabeceira da cama do bispo no hospital e é uma fervorosa defensora da santidade do bispo. “Tenho fé de que ainda verei dom Expedito no altar do Senhor.” A tesoureira da Cúria de Garanhuns, irmã Joelma Pinto, disse que o processo estava parado e foi reaberto em 2003, mas anda devagar. “Toda a parte que dependia de nós aqui no Brasil foi feita.
Existe uma parte posterior que é feita em Roma e depende de termos uma pessoa lá, que tenha todas as competências necessárias para acompanhar o estudo e fazer a position, que é um documento com todos os fatos, virtudes e relatos de história de santidade dele”, explicou. Enquanto isso, o fervor na cidade não esmorece. “Ainda hoje as intenções de missas de agradecimento à intercessão de dom Expedito na Catedral continuam. São de três a cinco por mês, em agradecimento por graças alcançadas”, afirmou a missionária Terezinha.

A sombra da maldição
Padre Hosana era um homem popular no rastro de um comportamento contraditório para quem se dizia um homem de Deus. Desde sua ordenação, a relação dele com Garanhuns sempre foi complicada. Apesar de ter cursado o seminário na cidade, a equipe de formação da Diocese o classificou com inapto. Ele viajou ao Sul do País para obter a ordenação. Voltando a Pernambuco, teria sido transferido de duas paróquias por se envolver em atritos com os fieis.

As histórias sobre sua personalidade violenta o acompanharam por toda a vida. E ganhou novos holofotes depois da série de julgamentos que enfrentou. Foram três, no total. No primeiro, recebeu uma pena de menos de três anos. No segundo, foi absolvido e, no último, foi condenado a 19 anos de prisão. Na cadeia, segundo jornais da época, teria dito que se tivesse a chance mataria Expedito 100 vezes, porque deu a Diocese um santo, e por isso deveriam lhes ser grato. Excomungado e banido, mesmo assim vestia bata, realizava missas e batizados, seja dentro da cadeia ou fora dela. Hosana foi solto depois de cumprir menos da metade da pena. Chegou a visitar o túmulo do bispo e lutou para conseguir o perdão da Santa Sé, o que obteve pouco antes de ser brutalmente assassinado em novembro de 1997. Ele estava com 84 anos, morava em uma propriedade rural em Correntes e foi atingido com golpes de madeira na cabeça. Vizinhos agricultores com quem ele tinha desavenças chegaram a ser acusados, mas não havia provas suficientes. De lá para cá as investigações não avançaram e o processo foi arquivado. Para alguns supersticiosos, a morte dos religiosos tem ligação com uma suposta má sorte que ronda Quipapá. Uma antiga lenda da cidade aponta que o nome do local foi obra do diabo. Para os céticos, o sangue que marcou a história das duas cidades é a prova de que é a Igreja é feita por homens. Homens que vêm de uma sociedade marcada por descontroles sociais, econômicos e políticos.